O Neotantra: A Caixa De Pandora

Por Rafael Eid

Já ouvi, muitas vezes, no contexto do neotranta, que o ser mais tântrico que existe é o bebê, pois ele sente tudo; é totalmente natural, autêntico, vulnerável. Somente mais tarde ele repetiria os erros dos pais e da sociedade, passando a não se sentir como no princípio de sua vida.

Assim sendo, o filme mais tântrico que existe seria Lagoa Azul, pelo fato das pessoas presentes na trama aprenderem a lidar com a sexualidade da forma mais natural que existe, sem interferência externa da sociedade, como afirma um professor meu.

E é um fato que na atualidade as pessoas estão crescentemente mais antinaturais. E o trabalho do neotantra não é focado só no desenvolvimento da sexualidade. Propõe-se a um caminho de retorno à naturalidade “nata” da pessoa, a qual veio se perdendo. Trata-se de uma volta a um estado, a um ser o mais autentico e natural possível.

Neste sentido, vale lembrar a frase do Osho que afirma: “seja autentico e desprendido”. Desprendido significando que você não estaria preocupado com o que a outra pessoa vai pensar ou deixar de pensar a seu respeito; se vai gostar ou não. E assim você poderia lidar com o seu ser real e não a partir de máscaras. Até porque, se a pessoa gostar dessas máscaras, em algum momento pode se decepcionar com seu ser real. E sustentar esse peso, todas as vezes que isso ocorrer consome uma quantidade absurda de energia vital.

No caminho do neotantra vejo que as pessoas confundem muito o que é tantra e o que é sacanagem. As possibilidades do trabalho do neotantra são enormes, é como eu falo, uma caixinha de pandora que se abre, pois muita coisa guardada relacionada com a sexualidade está lá reprimida, e as pessoas tem medo de abrir essa caixinha, medo dos pais; da sociedade; da igreja; de Deus; e medo dela mesma. Afinal, trata-se de ter que lidar com o que está dentro de si e que não se sabe o que é, o desconhecido.

Um dos efeitos mais comuns que identifico nos trabalhos do neotantra é a pessoa se tornar muito mais autêntica; tornar mais claro o que ela quer e o que ela não quer; falar mais, se soltar; ser mais leve, mais verdadeira.

E por que isso acontece?

Se a pessoa se entrega no processo, ela fica vulnerável, retirando suas defesas; e assim acessando e liberando o que impede ela de se soltar, tendo experiências de voltar a sentir com profundidade, voltar para o corpo, para o natural.

E voltando-se mais para o corpo a pessoa se liberta de conceitos repressores que estão cristalizados na mente, passando a se sentir mais e assim sendo, ser mais autêntica consigo mesma. Quando a pessoa se preocupa mais com o sentir do que com o que está passando pela cabeça, com o mental, ela fica mais natural, mais verdadeira.

Portanto, que fique claro que o neotantra é muito mais do que a massagem tântrica; esta é uma excelente ferramenta para o sentir, um caminho para voltarmos ao nosso ser mais natural, sendo mais fidedignos conosco mesmos e neste sentido, mais autênticos.  Para quem se permite sair da zona de conforto ela é rápida e transformadora.

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